Lucilia Diniz é empresária, pós-graduada em nutrição humana, consultora em alimentação saudável e presidente da Goodlight Alimentos. Depois de emagrecer 61 quilos, e colher os inúmeros benefícios físicos e emocionais provocados por essa transformação radical, Lucilia passou a escrever sobre sua experiência e a dar palestras sobre mudança de comportamento e qualidade de vida. É autora de sete livros inspirados em sua transformação pessoal.
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“Eu sempre fui gordinha, desde pequena. Aos 15 anos, emagreci e passei dos 87 quilos para 53. Mas, depois de um ano, engordei tudo de novo! Não agüento mais engordar, já cansei de me sentir inferior e feia. Eu estou com essa idéia fixa: eu não vou conseguir emagrecer, pois o meu único prazer é comer! Eu penso que não há nada melhor que comer e estou presa a isso! Não sei o que fazer. Por favor, me ajuda.”
Enviado por: Elizabeth Barbosa 06/11/08
Beth, querida,
Se seu “único” prazer é comer, só ele pode ser seu “melhor prazer”. Afinal, não há outros prazeres concorrendo, não é verdade (risos).
Mas quantas vezes você se permitiu experimentar outra coisa? Você me disse que emagreceu com 15 anos e logo engordou novamente. O que aconteceu para deixá-la tão assustada com o novo corpo?
Diante do seu depoimento, eu também me pergunto: será que você realmente gosta de comer? Será que seu verdadeiro prazer não é outro: sentir o estômago cheio?
Quem gosta de comer geralmente come pouco, curtindo o sabor de cada garfada. Se for esse seu caso, você só precisa aprender a comer direito. Foi o que fiz: comecei a pesquisar e a aplicar conceitos de gastronomia light na minha dieta. Foi essa minha paixão pelos alimentos que me fez mudar de vida.
Agora, se você busca na comida a sensação de “estômago cheio”, devo alertá-la que está apenas satisfazendo um vício. Comer demais é um hábito que inebria os sentidos. Só que por trás daquela sensação de conforto e alma preenchida há sempre um corpo inerte, incapaz de tomar atitude. Quem vive de estomago cheio dificilmente corre atrás dos desejos. E sente-se muito mal por isso.
Quer um conselho? Comece parando de comparar “prazer de comer” com “prazer de estar bela”. Por enquanto, compare algo mais palpável, tipo “um momento indigesto” com um “momento de vitória”.
Momentos de vitória são aqueles que nos enchem de orgulho. Pense no término de uma caminhada de 30 minutos após um dia atribulado; ou, então, no aprendizado de um passo novo ao final de uma aula de dança. Pode ser também algo mais simples, como “dizer não” a um bem-casado no fim de uma festa.
O importante é tomar gosto por momentos desse tipo. Afinal, vitórias (ainda que pequenas) puxam várias outras (bem maiores).
Comigo foi assim.
Bjs.
“Sou louca por lasanha e gostaria de uma receita levinha.”
Enviado por: Nanda 24/10/08
“Gostaria de saber uma versão light para a lasanha, adoro essa massa.”
Enviado por: Lívia 24/10/08
Queridas Lívia e Nanda,
Amar lasanha não precisa ser motivo de sofrimento. Há muitas versões light desse prato - inclusive prontas! O problema está no exagero, já que carboidrato chama carboidrato.
Meu principal conselho para quem precisa “fazer as pazes com a lasanha” é: procure torná-la mais leve! Vale para qualquer prato calórico que seja especial para você. O truque está em emagrecer uma receita de que você goste, fazendo trocas vantajosas.
No caso da lasanha, experimente recheá-la com lâminas de pupunha ou folhas de espinafre ou escarola, escaldadas em água quente. Tente também fatias finas de abobrinha ou berinjela grelhadas (um minuto de cada lado). Ou, então, fatias largas de cenoura cozida no recheio.
Queijo, presunto ou peito de peru? Só se forem magros, fatiados bem finos e em uma única camada. E se você quiser dar mais volume a sua lasanha, aposte em cogumelos que são pouco calóricos. Quanto ao molho, utilize sempre o de tomate. Incrementado com pimenta, salsinha e alho-poró, fica um show. Bom apetite.
“Adoro macarronada, mas não estou comendo porque sei que é engordativa demais. Gostaria de uma receita levinha.”
Enviado por: Humbelina 03/10/08
Nem toda, Humbelina! Comece trocando molhos brancos por vermelhos com pouca gordura. Eu adoro aquele molho “pedaçudo” de tomate, com cubos cozidos sobre a massa al dente. Folhas de manjericão também conferem um sabor incrível ao “prato da mama” e – o que é melhor – sem acrescentar nada de calorias.
Quanto à massa, eu prefiro a light ou a integral. Também adoto um pequeno truque com o macarrão depois de cozido: levo-o ao congelador para gelar e, antes de servir, aqueço novamente. Assim, a estrutura do amido é alterada, dificultando a quebra e a absorção no organismo.
Para comer macarronada sem culpa, olhe também para as refeições seguintes. Exagerou na “nostalgia” do almoço? Corte o carboidrato do jantar, privilegiando legumes e grelhados magros.
Viu como dá para encarar a macarronada sem stress?
No final, tudo se compensa.
"Estou quase 16 quilos acima do meu peso. Não sei o que acontece comigo, a cada dia engordo mais. Faço dieta, atividade física, tratamento estético, mas nada está adiantando. Nunca fui gorda e não quero ser gorda, e sei que estou chegando a um ponto sem volta. Estou desesperada, sempre fui vaidosa e hoje não tenho mais vontade de me cuidar. O que devo fazer?"
14/7/08
Que história é essa, de “estou chegando a um ponto sem volta”? Dezesseis quilos acima do peso? Dá para perder até o fim da primavera!
O que realmente me preocupou no seu depoimento foram as palavras “desesperada” e “não tenho mais vontade de me cuidar”. Se você sempre foi vaidosa, o que mudou? Será que vale a pena reagir dessa maneira? Descontar na comida não adianta nada. Muito menos jogar a culpa nos OUTROS... Ninguém é Deus para acabar com a nossa vida.
Pare também de perder tempo e energia refletindo sobre passado e futuro. Dê um basta nos pensamentos que paralisam você. Procure lidar melhor com as emoções, vivendo um dia de cada vez e dando sempre o melhor de si. E comece já a prestar atenção na sua alimentação.
Além dos exercícios, adote uma dieta em que você acredite. E comprometa-se com ela. E lembre-se de que, diante da tormenta, o segredo é manter a coragem. Desanimar, jamais!
"Gostaria de algumas dicas para ter mais persistência na dieta, tenho que emagrecer 24 quilos e estou encontrando muita dificuldade para chegar lá."
Enviado por: Claudiolanda de Oliveira em 14/7/08
A principal dica que eu tenho para você, Clau, é a seguinte: quanto mais inteligentes forem suas escolhas, menos você precisará ser persistente. Aliás, você pode estar com um pensamento errado sobre o sentido da “persistência”. Você precisa ser persistente é no seu objetivo, e não no cardápio. Persistente é quem continua no rumo apesar das pedras que surgem no meio do caminho.
A vida é como um rio. Há momentos de calmaria e trechos de corredeira. Assim como há também algumas quedas no meio do caminho. O importante é não esquecer que todo rio flui em direção ao oceano. Cabe a você escolher o tipo de mar que pretende encontrar no seu destino. Portanto, reúna já os melhores instrumentos para essa viagem.
Nada de desculpas (você já está na frente do computador e conectada). Busque por receitas fáceis e variadas, capazes de quebrar a monotonia de qualquer dieta. Depois, saia para dar uma volta no quarteirão. Só não vá se afobar. Amanha você dá duas e depois de amanhã três. Pronto: provavelmente você já garantiu uma bela jornada.
Lucilia, estou maravilhada com sua força de vontade, gostaria que você nos revelasse como foi que conseguiu acabar com o sentimento de impotência, emagrecer tanto e manter o peso.
Enviado por: Alessandra Novaes em 28/7/08
Foi transformando minha dificuldade no meu desafio, Alessandra. Depois de tentar várias dietas, eu mesma me desafiei. Conversei comigo mesma na frente do espelho: “Então será que é isso, Lucilia. Você está condenada a viver desse jeito para o resto da vida?”
Foi um momento mágico em que eu simplesmente recusei aquele destino separando os fatos dos meus pensamentos. O principal fato era que eu estava gorda. Não adiantava ficar perdendo tempo com pensamentos negativos, me lamentando e jogando a responsabilidade no universo. Se eu quisesse ser feliz, teria de ser magra e saudável para sempre. E para não continuar parada naquele sonho, eu precisava mudar.
Quer saber como fortaleci meu desejo de superação? Procurei viver o presente de maneira mais consciente. Passei a prestar mais atenção às minhas pequenas vitórias no dia-a-dia. Ao lidar com uma dificuldade, procurei valorizar mais aquilo que eu já havia aprendido.
Em tudo na vida, nós geralmente sabemos o que é certo e o que é errado. Também sabemos a diferença entre uma solução permanente, uma solução temporária, e um “me engana que eu gosto”. E, no final das contas, ninguém engana a si mesma.
A partir dessas reflexões, foi só seguir em frente. Lembre-se de que você é protagonista da sua história. Cabe a você fazer seu melhor papel.