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Cadê a memória que estava aqui?

Esquecer onde colocou a chave do carro. Não lembrar de quem é aquele rosto familiar que sorri — em vão — para você. Procurar, procurar, procurar um documento importantíssimo sem ter a menor idéia de onde encontrá-lo. Se uma espécie de vazio anda tomando conta da sua cabeça, aprenda alguns truques para ativar a sua memória e varrer de vez os brancos da sua vida

por Débora Lublinski | foto Fabio Mangabeira

Certamente já aconteceu com você: esquecer em qual andar do shopping estacionou o carro ou nunca encontrar na bolsa a chave dele (apesar de ter guardado no bolso da calça justamente para evitar o esconde-esconde). Isso sem mencionar o branco que dá quando o nome daquele filme famoso com aquele ator ótimo, marido daquela atriz linda... não vem à mente na hora que você mais precisa. Calma! Lapsos de memória são mais comuns do que você imagina entre garotas da sua idade, ainda mais nos tempos modernos em que vivemos. “Hoje, precisamos processar um excesso de informações no menor tempo possível. Ler o jornal, atender o telefone e programar a agenda ­- tudo junto — implica necessariamente em uma atenção compartilhada. Com o foco dividido, armazenar esses dados fica ainda mais difícil”, explica a fonoaudióloga Ana Alvarez, autora dos livros Deu Branco (Editora Best Seller) e Cuide da Sua Memória (Editora Nova Cultural). Em uma pesquisa com 78 pessoas, Ana Alvarez concluiu ainda que nós mulheres somos as mais suscetíveis às alterações da memória. O motivo? A jornada dupla, muitas vezes tripla com trabalho, estudos e, por fim, as tarefas domésticas.

refrescando a cabeça

Driblar o stress e a ansiedade, manter uma alimentação saudável e garantir pelo menos sete horas de sono são fatores fundamentais para não ficar sobrecarregada com tanta informação que você recebe. Também é importante se organizar, estipulando prioridades e urgências, além de manter a cabeça ativa com muita leitura, palavras cruzadas ou charadas.

A seguir, a gente ensina outras estratégias para selecionar e armazenar números, nomes, compromissos ou qualquer outra coisa que você julgue importante reter.
• Repetir, repetir, repetir é uma das técnicas mais simples de memorização. Só que não promove um aprendizado de longo prazo. Por isso, vale para aquele número de telefone que você disca e depois esquece ou para o recado que precisa transmitir.
• Fazer associações verbais ajuda a ativar a lembrança. Se você quer recordar o nome da amiga da amiga, atribua uma frase a ele. Exemplo: Carla Yassuda pode virar Carla é ossuda (quanto mais esquisito, melhor). Também utilize o método para senhas e datas importantes, criando um sentido a cada número.
• Formar imagens mentais completa a técnica acima. Quando for guardar um objeto, feche os olhos e visualize a cena: você colocando o seu título de eleitor na gaveta de documentos. Se quiser fale em voz alta tudo o que fez como se fosse um eco mental. Dê atenção à detalhes como a cor do móvel, o cheiro do armário, a textura do documento... O filminho será prontamente resgatado quando precisar dessas informações. Algumas pessoas também se sentem mais seguras se escreverem determinado dado antes de retê-lo na memória.
• Organizar as informações em categorias lógicas sempre facilita a vida. Em vez de escrever aleatoriamente os itens da lista do supermercado, ordene-os por proximidade. Leite, queijo branco, iogurte e requeijão seguidos por alho, cebola, tomate, salsinha fazem mais sentido que todas essas palavras embaralhadas.
• Refazer a cena do “crime” faz todo sentido. Para lembrar a data da última menstruação (quem não esquece?), lembre-se se fazia calor ou frio no dia, que roupa você vestia, onde e com quem estava, o perfume do lugar... Esses pensamentos podem levá-la à informação desejada de forma indireta.
• Lembretes sobre contas a pagar, aniversários e compromissos ajudam a se organizar. A geladeira e o monitor do computador são ótimos lugares para isso. Outra opção é colocar o telefone no chão ou em outro local inusitado até fazer aquela ligação importante. Tem gente que prefere mudar o relógio de braço ou trocar a aliança de dedo para não se esquecer de determinada tarefa.

a academia da mente

Assim como a ginástica mantém a sua forma, os exercícios mentais deixam a sua capacidade cerebral mais ágil. Batizada de neuróbica (ou aeróbica neurológica) no livro Mantenha o Seu Cérebro Vivo, de Lawrence Katz e Manning Rubin (Editora Sextante), as atividades propostas a seguir oferecem à mente experiências que fogem da nossa rotina, usando várias combinações dos seus cinco sentidos (os portões por meio dos quais o cérebro entra em contato com o mundo exterior). “Ao fazer esse treinamento, circuitos quase nunca ativados do cérebro são utilizados, aumentando a flexibilidade mental”, garantem os autores norte-americanos.

de olhos bem fechados
Que tal tomar banho sem enxergar nada? Localize as torneiras e ajuste a temperatura e o fluxo da água usando apenas o tato. Passe o xampu, o condicionador e ensaboe-se sem abrir os olhos. É bem possível que suas mãos percebam texturas inusitadas dos produtos e descubram contornos do seu próprio corpo que você desconhecia.

esquerda, a mão esperta
Escove os dentes com a mão esquerda (ou a direita, se você for canhota). Use-a inclusive para abrir o tubo e colocar a pasta de dente na escova. Esse exercício exige que você utilize o lado oposto do seu cérebro em vez do lado que normalmente usa.

desbrave novos caminhos
Siga por um percurso diferente para chegar ao trabalho -­ seja de carro ou a pé. Descubra novas ruas e note o barulho e o cheiro do lugar. Em sua viagem rotineira, o cérebro entra no piloto automático com um mínimo de estimulação enquanto um novo percurso ativa o córtex e o hipocampo.

tudo fora de ordem
Com a rotina diária, seu cérebro forma um mapa espacial da sua mesa de trabalho tanto que é preciso pouco esforço mental para localizar o mouse do computador, o telefone, a cesta de lixo e outros objetos. Mude tudo de lugar ao acaso. As áreas visuais e sensoriais do cérebro voltam a funcionar para reajustar os mapas internos.

o colorido da feira livre
Em vez de fazer as compras de rotina no supermercado, programe uma visita à feira livre da sua cidade. Repare nos perfumes e nas cores das frutas, experimente algumas que nunca provou, pergunte a origem delas, troque receitas, barganhe antes de pagar. Esse exercício contém todos os elementos neuróbicos: novidade, associações multissensoriais entre formas, cores, cheiros, sabores, além da interação social.


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