Malhar é tudo de bom. Deixa você poderosa, com o corpo em cima e dá uma força para a saúde. Acontece que, quando decidimos levantar do sofá, a tendência é calçar o par de tênis e já começar a se movimentar. É tanta pressa de recuperar o tempo perdido que a gente até se esquece: o mais indicado é que tudo comece com uma visitinha ao médico. Afinal, antes de ligar o turbo dessa máquina que é nosso corpo, precisamos saber se está tudo em ordem com o equipamento. Funciona como a revisão no carro antes de colocá-lo na estrada. A máquina com problema às vezes não apresenta nenhum sintoma quando anda devagar pela cidade. Na velocidade da estrada, porém, o que era invisível pode causar um acidente.
Foi o que aconteceu com Serginho, jogador de futebol que morreu durante uma partida em outubro passado, lembra-se? Ele tinha uma doença no coração chamada cardiomiopatia hipertrófica assimétrica, e o esforço do esporte lhe causou uma morte súbita.
Calma, o caso de Serginho dificilmente se aplica a você! Isso porque “o risco de as mulheres terem uma doença coronariana, que é o entupimento da artéria que leva oxigênio e nutrientes ao coração, é bem menor que o dos homens”, explica o cardiologista Antônio Tebexreni, responsável pelo Check-up Fitness do Instituto Fleury, em São Paulo. Ainda assim, é importante checar como anda a sua saúde.
O passo-a-passo é simples: uma consulta com um médico atencioso, do tipo que bate um longo papo com você, já costuma resolver a questão. Você escolhe entre um clínico geral, um cardiologista ou um médico do esporte. Ele irá perguntar sobre seu histórico de doenças e o da sua família, como hipertensão arterial, diabetes e doença coronariana em pais, irmãos, tios e avós. Conversará com você sobre seus hábitos alimentares e até sobre sua menstruação — já que o fluxo de sangue pode indicar se há carência de ferro, substância importante para o transporte de oxigênio por todo o organismo. Além disso, o excesso de peso, o tabagismo e cerca de três anos seguidos sem praticar exercícios aumentam o risco de desenvolver doenças do coração.
Juntando essas informações, o médico avalia se há necessidade de pedir alguns exames. “O eletrocardiograma de esforço e o perfil bioquímico, que mede colesterol, triglicérides, glicemia e conta ainda com um hemograma, são de praxe, e devem ser repetidos no mínimo a cada três anos”, diz o médico do esporte Renato Lotufo, diretor do Instituto de Avaliação Física do Esporte do Instituto Cohen, em São Paulo. Tebexreni é mais light: “Se o médico perceber que a paciente faz parte do grupo de baixo risco, pode liberá-la para praticar a atividade física sem os exames. Mas ao menos uma vez na vida todos deviam fazer dosagem de colesterol, glicemia e eletrocardiograma”.
Não é só. Peça para o médico dar uma olhadinha na sua coluna e joelhos, mesmo que a especialização dele seja cardiologia. Se ele notar uma lordose acentuada (o bumbum fica bem arrebitado), ou os joelhos muito curvados para dentro ou para fora, pode recomendar uma visita ao ortopedista ou, então, pedir que você evite exercício físico de impacto, como vôlei.
Só mais um recado importante: essa história toda não vale apenas para quem resolveu malhar com freqüência. As atletas de fim de semana, que não estão acostumadas a praticar uma atividade física e resolvem dar um gás no sábado, também devem tomar estes cuidados. Combinado?