Cachos rebeldes
Tinha cabelo liso, liso, quando era criança. Na passagem para a adolescência, para a minha tristeza, os fios começaram a enrolar e eu não sabia como controlar o volume. O mais irritante é que a minha irmã mais nova vivia com o cabelo esticado sem precisar passar um pente sequer. Lembro que testava todas as receitas que ouvia falar para dar um jeito na cabeleira. Imagina que cheguei a dormir com uma touca de meia-calça, igual a do Seu Boneco, personagem do ator Lug de Paula na Escolinha do Professor Raimundo. Era ridículo, mas só assim meu cabelo não ficava tão cheio quando levantava da cama! Uma vez ouvi dizer que lavar a cabeça com sabão de coco era tudo de bom. É claro que usei o 'supercosmético' várias vezes, mas quando os fios secaram, pareciam uma palha! O tempo passou e meu cabelo não mudou, mas eu sim. Aprendi que ele fica lindo quando bem tratado. Além disso, gosto da versatilidade: se eu quiser faço uma boa escova e ele fica lindamente escorrido."
Juliana Paes, atriz, 25 anos
Nariz original
Quando era mais nova, achava que o meu nariz era de bolotinha. Todo mundo tem nóias quando o assunto é imagem. Eu também tive! Cheguei até a marcar uma cirurgia plástica. Na época, esse tipo de operação estava em moda, todas as minhas amigas fizeram e eu fui na onda. Mas graças a Deus, na hora H, não entrei na faca. Para a alegria da minha família, no dia da cirurgia, perdi a coragem! Ainda tive que ir lá no consultório do cirurgião pedir desculpas pelo transtorno todo. Meu ex-marido me acompanhou e deu uma bronca no médico. Ele segurava meu rosto e perguntava: 'Doutor, o que o senhor vai mexer no rosto dessa mulher?' Morri de vergonha! Hoje, estou satisfeita com o que tenho. Os meus seios são pequenos, por exemplo, mas isso nunca foi motivo de frustração para mim. Tanto que nem penso em colocar silicone. O amadurecimento faz isso. Você se aceita do jeito que é e gosta do que vê no espelho."
Carolina Ferraz, atriz, 36 anos
Bocão sexy
É impossível não dar boas gargalhadas quando lembro que usava corretivo de olhos para diminuir meus lábios carnudos. Aliás, sempre que me recordo dessa história, o gosto amargo da maquiagem vem à minha boca. Só que qualquer coisa que eu comia removia o produto e revelava o meu segredo. Por conta disso, não me restava outra opção senão levar o corretivo para o colégio e retocar o truque a todo instante - escravidão total! Nem sempre achava que a minha estratégia funcionava, mas na dúvida (e na insegurança) continuava usando. Comecei a gostar de ter lábios grossos quando vi a Liv Tyler no filme Beleza Roubada. Reparei que a atriz superfamosa tirava proveito desse atributo em vez de escondê-lo. Depois disso, assumi meu bocão do jeito que ele é."
Giselle Itié, atriz, 23 anos
Pernas a vista Saracura, pernalta, bambi, seriema e gazela. Colecionava apelidos por causa das minhas pernas finas. Esses são apenas alguns dos que consigo me lembrar. Até minha mãe me gozava. Ela me chamava de Belém-Brasília, uma alusão à rodovia construída na década de 80 que ficou conhecida como comprida e mal-acabada! Jamais vestia saia para não mostrar as pernas finas. Cheguei até a colocar um moletom por baixo da calça para dar a impressão de coxas grossas. Lembro também que quando olhava para minha sombra, via uma perna bem comprida e um tronco curto e me achava uma desgraça! Quando percebi que fazia sucesso com os meninos, desencanei um pouco. A vida de modelo também me ensinou a valorizar as pernas justamente deixando essa parte do corpo à mostra, usando muita minissaia e bermuda. Tenho 1,81 metro de altura, sendo mais de um metro só de pernas, e adoro o meu corpo. A única dificuldade é achar namorado do meu tamanho!"
Luciana Gimenez, apresentadora de TV, 35 anos
Curvas assumidas
Disfarçar as coxas grossas e o bumbum grande era questão de vida ou morte durante minha adolescência. Nenhum modelo de calça jeans entrava no meu armário porque achava que esse tecido evidenciava ainda mais as curvas generosas. O pior é que essas encucações atrapalhavam (e muito) a minha vida social. Viajar para a praia com os amigos, por exemplo, era um verdadeiro tormento. Toda a turma caía no mar e eu ficava na areia, no maior calorão, quase pegando fogo, mas não levantava da cadeira (e ainda me enrolava na canga para não mostrar nadinha). Nessa época, a minha melhor amiga era bem magrinha, do tipo pele e osso. A gente formava uma dupla perfeita porque ela também não ficava só de biquíni de jeito nenhum! Como fazia balé clássico, sentia muita pressão para ter as medidas esquálidas típicas das bailarinas. Quando parei de dançar profissionalmente, a cobrança diminuiu e minha obsessão também. Ainda não gosto de usar roupas muito justas e continuo encanando com calça branca. Mas vestir um jeans deixou de ser um problema."
Tânia Kalil, atriz, 27 anos
De peito aberto Na época em que era modelo, ainda na adolescência, ter peitão era um grande drama - principalmente quando era chamada para fazer catálogos de lingerie. Meu sonho era fazer fotos com aqueles conjuntinhos rendados supersexy ou vestir peças fofas e coloridas de algodão, mas acabava fotografando com aquele sutiã bege, nada moderno, indicado mais para senhoras com seios volumosos. Os produtores sempre alegavam que os tais sutiãs de sustentação só caíam bem em mim, pois nas outras modelos a peça ficaria vazia, sem graça... Enfim, tinha tanto trauma que só usava camiseta larga. Alcinha e blusa decotada, nunca! Cheguei até a pensar em fazer a cirurgia de redução de mama. Foi minha mãe que me convenceu a tirar aquela idéia da cabeça. Só passei a aceitar meus seios quando os meninos do colégio mostraram interesse pelo meu tipo físico. E, hoje, com silicone em alta, levo vantagem sobre milhões de mulheres, pois os meus seios são naturais."
Karina Bacchi, atriz, 28 anos