Batizado de Dieta Mental, o método desenvolvido pela psicóloga aposta no poder do autoconhecimento alidado à sabedoria da ioga. Tudo para desmontar as armadilhas emocionais que atrapalham a gente. A primeira arapuca aparece antes mesmo da dieta começar. Ninguém pára para analisar porque quer perder peso. Será que é o marido que faz questão de uma esposa nos moldes da boneca Barbie? Ou todas as amigas descoladas são do tipo alta e magra e você não pode ser uma exceção? “Na maioria das vezes, a decisão de emagrecer vem de fora. É imposta pela sociedade que associa valor pessoal com a aparência: só as mulheres esquálidas são merecedoras de alguma coisa”, diz a especialista. E, assim, com a destruidora sensação de que não somos boas o suficiente para o resto do mundo, não existe força de vontade que dê conta de uma transformação. “Costumo dizer às minhas pacientes que o corpo é apenas uma parte delas, o que não anula todo o restante”, adverte Denise. Pensando dessa forma, fica mais fácil se aceitar à sua moda e conseguir partir para pequenos ajustes que podem melhorar o visual.
Bom, se você consultou o seu desejo e constatou que vai se sentir melhor com o jeans mais folgado, o próximo passo é encontrar o botão que tira a sua ligação com a comida do piloto automático. Você sabe que, quando devora uma barra de chocolate, nem sempre está com fome. Então, o que realmente está faltando? O que poderia satisfazer a sua vontade em vez de um doce melecado: carinho, atenção, segurança? “Ao responder essas perguntas, conseguimos eliminar as conexões internas, a maioria inconscientes, que fazem a gente agir de forma descontrolada”, pondera Denise. Nem sempre dá tempo de impedir o ataque ao bolo de chocolate, mas perceber, depois, que o deslize foi impulsionado por uma emoção (tristeza ou raiva, talvez) á é meio caminho andado. A ioga também ajuda a segurar as rédeas da nossa ansiedade e a ativar nossa determinação — a gente conta como ela vira sua aliada a seguir. Aos poucos, será possível perceber que não precisa mais compensar problemas e dificuldades comendo. E o final da história será diferente: você vai poder comer de tudo um pouco, mas de uma forma responsável e consciente, sem precisar viver em guerra com a própria imagem.
Com as posturas da hatha ioga (uma linha mais suave dessa prática), você percebe o que o seu corpo está sentindo e descobre para que serve cada movimento. Isso também vale para emagrecer: à medida que damos atenção às nossas atitudes, fica mais claro entender e reduzir o gatilho da gula. Esta seqüência trabalha a coluna vertebral e o abdômen. A proposta é melhorar não apenas o eixo corporal mas também a sua postura diante dos alimentos. Já o abdômen fortalecido ajuda estimular a força de vontade, pois ativa o centro de energia dessa região (ou chacra manipura), associado a essa qualidade.
A ioga prega que respirar corretamente também tem papel importante quando o assunto é aumentar a sua consciência em relação aos alimentos. Com o primeiro exercício, a respiração abdominal, você desacelera os pensamentos e compreende melhor o que realmente está sentindo – isso evita afundar as mágoas no pacote de biscoito! Quando ficar fácil, passe para o segundo tipo de respiração, a kapalabhati. Ela ativa a região do abdômen, estimulando a digestão e a força de vontade e a coragem.
• Inspire devagar em três tempos, dilatando o abdômen. Solte o ar, murchando a barriga.
• Inspire de forma profunda. Aos pouquinhos, fazendo leves contrações do abdômen, solte o ar pelo nariz como se estivesse com um soluço.