Comer pouco sem perder um grama sequer é uma das queixas mais freqüentes nos consultórios médicos. Muitas vezes seguida de “devo ter algum problema na tireóide“. Até pouco tempo, isso era encarado como desculpa esfarrapada. Afinal, menos de 4% das pessoas com excesso de peso têm disfunções hormonais que podem interferir no emagrecimento. O médico fazia a invariável recomendação de fechar a boca e fim de papo.
Já não funciona assim. A ciência comprovou que comer muito pouco não ajuda a afinar, pelo contrário. Outra idéia furada é a de que gordinhos e gordinhas são pessoas sossegadas e os nervosos estressados são os magros. Nada disso: estresse engorda e incha porque faz reter líquidos. O que empata a sua dieta pode ser ainda a genética. Como você vê, as coisas mudaram. Para fechar essa questão, listamos aqui os erros alimentares que podem brecar a perda de peso e ajudamos você a tirar tudo de letra.
ato falho engorda
Antes de achar que a sua dificuldade em perder peso está relacionada a algum problema com o seu organismo, analise a sua atitude diante da comida. E comemore: virar esse jogo é bem mais fácil do que resolver qualquer disfunção.
Pouca comida, muitas calorias. Você pode comer pouco, mas, se escolher alimentos errados, como os super-refinados e gordurosos (doce, bolo, pão branco, fritura, salgadinhos, carnes gordas), pouco vira muito. Apostar em prato quase vazio mas cheio de calorias também dispara a produção de gordura. Para perceber onde mora o perigo, use o truque do diário alimentar: “Você anota tudo o que entra no seu cardápio e confere no fim do dia como a baixa qualidade dos alimentos pode pesar na balança tanto quanto a quantidade”, diz a nutricionista Cynthia Antonaccio, autora do livro Boa Forma em 8 Semanas (veja a seguir).
Falta de atenção. Se você cansou de ouvir a recomendação de fazer da refeição um ritual agradável sem se distrair com outras coisas, experimente comer um prato no capricho, do jeito que você gosta em frente à TV: vai chegar ao fim com a sensação de que não foi o suficiente. Outro teste: tome um café enquanto trabalha diante do computador. Em algum momento, você vai levar a xícara vazia à boca, porque não percebeu que já bebeu tudo. Conclusão: hora de comer, comer.
"Muita gente só registra na lista o que comeu durante as refeições e ignora tudo que belisca nos intervalos", diz a metabologista Fernanda D’Elia, de São Paulo
metabolismo lento
Pode acontecer de o metabolismo ficar preguiçoso, queimando menos gordura, especialmente depois de uma dieta radical feita por um período longo — em que você perde muita massa magra (músculos). E isso engorda mesmo. Mas existem maneiras eficientes para dar um novo gás a esse sistema.
Mais músculos. Está comprovado que, para manter o metabolismo queimando mais calorias durante 24 horas por dia, é importante você investir nos exercícios de força. “Eles proporcionam o aumento dos músculos — considerados queimadores naturais de calorias”, diz o fisioterapeuta Marcus Vinicius, diretor da Clínica N&T, no Rio de Janeiro. Mas nada de voltar à vida sedentária depois de chegar ao peso ideal. É preciso entender que o exercício é para sempre: parou de fazer, o metabolismo fica mais lento.
Dieta acelerada. Agora, se você come pouco de verdade, malha muito e nada de emagrecer, pode ser mesmo que seu metabolismo esteja lento. Então, a recomendação é esquecer as dietas que prometem resultados rápidos. A solução é perder 10% do peso total ao longo de um ou dois meses e manter o novo peso por uns seis meses. Esse tempo dá chance ao seu organismo de começar a registrar o novo peso e permitir que o metabolismo se estabilize. Só depois você retoma a dieta para enxugar o que falta. Segundo o Registro Americano de Controle de Peso (órgão que fornece informações sobre as estratégias usadas por pessoas bem-sucedidas na perda e manutenção de peso), que acompanhou por mais de dez anos milhares de pessoas que seguiram dietas nos Estados Unidos, esse sistema de emagrecer funciona de verdade. O difícil é lidar com a ansiedade: poucas mulheres têm paciência de esperar muito para atingir a meta.
"Quem tem menstruação irregular, aumento de pêlos e acne deve ir ao ginecologista para pesquisar se tem síndrome do ovário policístico, outra condição associada à resistência à insulina e que pode ser tratada, resolvendo boa parte do peso em excesso", orienta o nutrólogo Alexandre Merheb, do Rio de Janeiro
Quando comemos, a quantidade de insulina no sangue aumenta e em cerca de duas horas ela começa a trabalhar, capturando a glicose (açúcar) dos alimentos, em especial dos carboidratos. Se você engorda comendo alimentos muito calóricos, emagrece com uma dieta maluca e depois volta a ganhar peso, provoca turbulência na produção desse hormônio. A conseqüência pode ser a resistência do seu organismo à insulina, isto é, ele manda o pâncreas fabricar cada vez mais hormônio para resolver as mesmas funções de antes, aumentando seus níveis, o que dá mais fome e dificulta a perda de peso. Quando a insulina sobe e desce fora do padrão também pode ser sinal de diabetes tipo 2 – vale checar.
Baixando a bola. Para desacelerar a produção da insulina, a recomendação é diminuir o consumo de carboidratos, preferindo os de baixo índice glicêmico (que demoram mais para serem transformados em glicose) e evitando os que viram açúcar muito rápido no sangue: doce, bolo, açúcar, pão branco, batata e arroz branco.

Mãe, tias, avós, irmãos, todos gordinhos? Então o excesso de peso pode ter a ver com a sua história familiar. Daí, é verdade, fica mais difícil manter o corpo sequinho mesmo se você come pouco. Os últimos estudos na área da genética mostram que uma das causas da tendência a engordar é a produção excessiva da enzima lipase lipoprotéica, a principal responsável pelo armazenamento das gorduras nas células. Quando os genes determinam uma menor produção da proteína UCP (uncoupling protein ou proteína desacopladora) o resultado também é peso extra. “Nesse caso, o metabolismo aproveita tudo o que é consumido e gasta o mínimo de energia”, diz a metabologista Fernanda D’Elia. Não existe ainda tratamento para essa ingrata tendência, mas você pode controlar o peso se criar o hábito de comer na medida certa e priorizar alimentos de qualidade. A saída é adotar, para sempre, um estilo de vida em que os excessos fiquem de lado. O exercício também é um santo aliado para driblar a genética.

de pêra
1 fatia (40 g) de queijo +1 fatia (40 g) de goiabada
• truque magro: Se você tem o hábito de comer um naco sarado de goiabada, reduza a fatia pela metade: 20 g do doce para 40 g do queijo curado, por exemplo. Outra forma de reduzir o açúcar, sem a dupla perder sabor, é optar por uma goiabada diet. Melhor ainda se trocar o queijo curado pelo branco. As calorias baixam para 125.
• outras boas parcerias: A goiabada com queijo (o clássico romeu-e-julieta) também deve vir depois de uma refeição leve, como um filé de carne magra grelhada e uma salada com bastante folhas. O doce ameaça um pouco menos a dieta quando consumido logo após um almoço ou jantar ricos em fibras. Calorias do prato completo: 380.
Até minha pele ficou mais bonita! Juliana Knust
calorias: 660
versão tradicional
4 folhas de alface - 10 calorias
Ingredientes: 500 g de filé de peito de frango em cubos
1/2 cebola cortada em fatias finas, 1 col. (sopa) de azeite de oliva, 1 xíc. (chá) de quinua crua em grão, 2 tomates sem pele e picados, 1/2 copo (100 ml) de vinho branco, 1 copo grande (300 ml) de caldo de vegetais (pode ser em pó, sem gordura), 2 xíc. (chá) de folhas de espinafre, 1 dente de alho, sal, pimenta vermelha e noz-moscada a gosto, 1 fatia grossa de queijo branco em cubos
As frutas e hortaliças são importantíssimas na dieta.
Ingredientes
"A amêndoa está na lista dos alimentos que possuem substâncias com poder de diminuir o stress", afirma a nutricionista Cynthia Antonaccio Pare um pouco e reflita com calma: será que a sua dificuldade em riscar os quilos extras do seu corpinho não tem a ver com stress? Além de deixar você nervosa e pronta para atacar a geladeira, a tensão constante estimula a produção de cortisol, hormônio que breca a perda de peso e engorda. Ele manda para o cérebro uma mensagem para reter líquido e gordura no organismo. Então, faça o possível para relaxar. “Para facilitar a tarefa, invista em alimentos ricos em substâncias que ajudam a reduzir o stress e ainda regulam a sensação de bem-estar”, orienta Cynthia. São eles: avelã, castanha-do-pará, alface, espinafre, brócolis, berinjela, grão-de-bico, soja, acerola, goiaba, banana, iogurte, peixes e frutos do mar. Os mais calóricos, como as castanhas, grãos e cereais, não podem ser consumidos com a mesma liberdade que a berinjela e a alface. Duas castanhas ou meia xícara (chá) de grão-de-bico (ou soja) ao dia está na medida.

salmão com cottage e agriãoingredientes 
2 col. (sopa) de arroz + 1 concha de feijão
• truque magro: Usar menos óleo no arroz e dispensar o bacon do feijão ajuda a enxurgar as calorias dessa dupla. Você vai engordar ainda menos se colocar no prato mais feijão (2 conchas) do que arroz (1 colher), de preferência integral, aumentando as fibras e a proteína, o que reduz o índice glicêmico do prato pela metade. As calorias baixam para 203.
• outras boas parcerias: Uma salada de folhas variadas com legumes crus ou levemente cozidos e um filé de frango grelhado são suficientes para transformar o feijão com arroz numa refeição completa. E o total de calorias fica dentro do permitido para quem está controlando o peso. Calorias do prato completo: 435.
Ganhei pique e perdi peso. Priscila Fantin
calorias: 650
versão tradicional
1 prato de sobremesa de agrião - 7 calorias
café da manhã
1 xíc. (chá) de quinua crua em grão, 2 xíc. (chá) de peito de frango cozido cortado em cubos, 1/2 xíc. (chá) de nozes pecan picadas, 1/2 xíc. (chá) de uva passa preta ou branca (mergulhe por 20 minutos em um pouco de água), 2 col. (sopa) de shoyu light, 1 pitada de páprica (opcional), 4 folhas de alface americana e salsa para decorar
Ingredientes
"A dose diária de 28 gramas (ou uma colher de sopa) de pimenta vermelha estimula o metabolismo naturalmente, ajudando o corpo a gastar mais calorias", diz a nutricionista Cynthia Antonaccio, de São Paulo • emotiva
Erro: você devora bombons quando está triste, alegre ou ansiosa.
Sugestão: não estoque chocolate em casa nem no trabalho. Se não resistir, compre um só na lanchonete e saia rapidinho para não ter recaída.
• festiva
Erro: você sucumbe facilmente às frituras para acompanhar o drinque ou o chope.
Sugestão: vá de carpaccio de carne ou de salmão. No máximo, uma isca de filé.
• ativa
Erro: você come em dobro para compensar as reservas gastas com os exercícios.
Sugestão: dá para comer um pouco mais para repor as calorias, mas o dobro pode ser demais.
• workaholic
Erro: almoçar, para você, só quando a agenda permite.
Sugestão: esforce-se para comer uma refeição de verdade nessa hora. Isso mantém o metabolismo ativo.
• maníaca por dieta
Erro: você adora fazer dieta, e quanto mais radical ou maluca, melhor.
Sugestão: adote cardápios equilibrados e com no mínimo 1200 calorias diárias. Além de emagrecer, os hábitos saudáveis vão ajudá-la a manter o peso.