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”Cuidei dos hormônios e ganhei um corpo novo”

por Marjorie Umeda

Passei a vida inteira em um casulo, cercada pela minha gordura. Na adolescência, era discriminada pelas meninas e os meninos não queriam nada comigo. O que mais me chateava é que não comia em exagero, como todos pensavam. Fazia só as refeições principais e passava longe de fast food e refrigerante. Aos 15 anos, com 75 quilos, fui para a academia tentar emagrecer. Fazia esteira, localizada e musculação. Seis meses depois, estava com o mesmo peso e as mesmas medidas.

Minha instrutora me sugeriu procurar um endocrinologista, mas, como não tinha convênio médico, deixei essa história para trás. No ano seguinte, comecei a namorar. E continuava a engordar – bati nos 80 quilos. Foi quando ouvi do meu namorado que eu era um lixo por ser uma gorda. Fiquei arrasada! Continuei com ele, mas fui buscar o tal endocrinologista em um posto de saúde.

O diagnóstico: hipotireoidismo. Saí de lá com um remédio para controlar a tireóide e uma dieta de apenas 800 calorias diárias para derreter a gordura que já estava acumulada. O cardápio, que segui por quatro meses sob controle médico, era muito restrito. De atividade física, só fazia abdominais, 250 por dia, já que por comer muito pouco, não tinha energia para a malhação. Em quatro meses, emagreci 10 quilos, uma vitória.

Como prêmio, passei para um cardápio com 1 200 calorias diárias. Junto com os quilos perdidos, consegui um emprego. Mantive os abdominais e passei a caminhar uma hora por dia, para ir e vir do trabalho. Nos oito meses seguintes, derreti mais 12 quilos, cheguei aos 58. E, é claro, troquei de namorado! Minha tireóide voltou a funcionar e hoje nem preciso mais dos remédios. Até tatuei uma borboleta no ombro para celebrar essa nova fase, linda e feliz.

tireóide preguiçosaEssa glândula é responsável pelo controle do metabolismo, entre outras funções. No hipotireoidismo, há uma queda na produção dos hormônios, o que faz com que o organismo funcione com o “freio de mão puxado”. Daí a dificuldade de Claudia em queimar calorias. O diagnóstico é feito por meio de exame de sangue. Segundo Tércio Rocha, endocrinologista do Rio de Janeiro, os principais sintomas da doença são, além do aumento de peso, apatia, irritação, unhas fracas, cabelos quebradiços e cansaço. O tratamento é feito com a ingestão dos hormônios que estão em falta.   

Foto: Célia Mari Weiss. Produção: Alê Ravizza. Cabelo e maquiagem: Rodolfo Silveira. Tênis, World Tennis. Legging, regata e casaco, Track&Field.


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