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a foto mudou a minha vida

Leniza e Juliana tomaram o maior susto ao se verem em fotos com muitos quilos a mais. Leda nunca se esqueceu da imagem de um verão em que estava magra e cheia de auto-estima. Ao se deparar com a pior ou melhor foto da sua vida, você tem dois caminhos: fugir do próximo clique ou transformar seu corpo e sua história. Essas três vencedoras escolheram a segunda alternativa. Inspire-se nelas!

por Débora Lublinski | fotos Dárcio Tuták

como tudo aconteceu

“Tenho uma história do avesso. Vou explicar: em 2003, fiz um regime bravo e emagreci 16 quilos. Linda, pesando 54 quilos, viajei de férias para Porto Seguro. Lá, conheci um gato e passei dias sensacionais. Voltei queimada, maravilhosa, como nunca estive antes. Alguns meses depois, tive um novo amor e me casei. Com a mudança na rotina e uma série de problemas de saúde – meu e do meu marido –, engordei 20 quilos em menos de um ano e meio. E cheguei aos 82!!!! Fiz várias dietas, mas acabava me auto-sabotando e vivia no efeito sanfona. Ainda tenho roupas do manequim 40 ao 48 no meu armário. Foram dias de muito sofrimento – odiava me ver gorda! Olhava a minha foto (eu, magra e bronzeada) da semana mais feliz da minha vida e isso me matava. Foi com essa imagem na cabeça que resolvi: quero me sentir bonita, segura e desejada novamente!”

Leda Sangiorgio,
29 anos, jornalista

por que a foto foi decisiva

“Aquela foto trouxe lembranças de um tempo bom em que eu mesma me bancava. Sabia exatamente o que me deixaria feliz e corria atrás dos meus desejos. Com essa sensação, resgatei uma força interna, pedi a separação, voltei para a casa dos meus pais, troquei de emprego e parei de me esconder atrás da gordura. Encarei o meu reflexo no espelho e, assim, comparando a imagem magra com a realidade, passei a enfrentar a situação.”

a outra arma que me ajudou

“Com a orientação de um endocrinologista, retomei a dieta. Diferentemente de outros especialistas, esse me ouviu de verdade e não apenas receitou uma fórmula e me mandou para casa. No final da consulta, falou: ‘hoje em dia, a sua diversão é comer. Você está disposta a abrir mão disso e encontrar outros prazeres para emagrecer?’ Mais uma vez, a ficha caiu – eram os salgadinhos fritos do restaurante por quilo e a sobremesa mais calórica do cardápio que me nutriam de felicidade. Agora me viro com barrinhas de cereais, uva passa, fruta, sopa, grelhado. Em dois meses, já consegui emagrecer 12 quilos. Sei que ainda faltam três longos meses para atingir minha meta – 58 quilos até o verão –, mas estou confiante de que vou chegar lá.”

Para despertar a coragem de virar o jogo, a psicóloga Zuleika Fuente sugere um exercício: monte um álbum com fotos contando sua história, da fase magra, cheinha, gordinha... “Olhe sua trajetória, não se esconda nem fuja da realidade. Assim, fica mais fácil perceber que você é capaz de administrar a situação, se organizar e conseguir emagrecer.”

como tudo aconteceu

“Minha relação com dietas começou cedo, aos 9 anos de idade. Nunca fiz o tipo magrela, mas cheguei ao auge de gordura quando fui morar nos Estados Unidos. Por causa da ansiedade, engordei 18 quilos! Estava para voltar para o Brasil, quando minha irmã me mandou por e-mail uma foto que tiramos numa festa de Halloween. Quando abri a imagem no computador não me reconheci! Estava com a aparência de uma mulher dez anos mais velha! Parecia que não tinha pescoço, sem falar nas gordurinhas ‘pulando’ do lado! Na mesma hora, pensei: tantas mulheres mais velhas do que eu, com filhos e muito mais em forma, bem cuidadas... Como posso me agredir dessa maneira?”

Juliana Verde de Fornos,
30 anos, publicitária

por que a foto foi decisiva

“Há muito tempo evitava posar para fotografias. Quando não conseguia escapar, pedia para fotografar apenas o rosto. Recusava a me olhar de frente e, assim, me esquivava da responsabilidade de controlar o meu próprio peso. A foto do dia de Halloween me deixou arrasada. Parei e pensei: gente, será que eu sou assim? Prestes a completar 30 anos, percebi – desta vez de verdade – que se eu não fosse tomar conta de mim, ninguém mais cuidaria. Não queria entrar nessa fase mais madura sem me sentir bem comigo mesma. Imediatamente, liguei para minha mãe e disse: marca uma consulta com a nutricionista que estou voltando!”

outra arma que me ajudou

“A nutricionista foi logo avisando que eu tinha, a partir daquele momento, que pensar como magra. Para isso, ela me ensinou a perder peso sem passar fome. Aprendi a comer de três em três horas para não atacar a comida na refeição seguinte. Cortei fritura, dosei a quantidade de doce (uma missão quase impossível para uma chocólatra!), mudei a quantidade das porções que colocava no prato. Investi meu tempo livre na academia com aulas de natação e sessões de musculação. Os exercícios com peso modelaram meus braços e minhas pernas e não fiquei nada grandalhona como imaginava. Foram quatro meses de foco intensivo no processo de emagrecimento – perdi 19 quilos. Hoje, se não faço uma atividade física fico de mau humor. Guardei todas as minhas fotos antigas numa pasta do computador chamada ‘Ju nunca mais’. Vira e mexe dou uma olhada nas imagens para me dar força a não voltar a engordar. Nunca mais.”

como tudo aconteceu

“Demorei sete anos para tomar uma atitude e fazer as pazes com o espelho. Fui uma criança magra, mas engordei muito por conta de um problema de tireóide. Sempre aparecia uma justificativa que dava as mãos ao meu desânimo e me impedia de conquistar um corpo mais enxuto. Carnaval, ano-novo, Páscoa, aniversário, férias... tudo isso fazia o projeto de emagrecer ficar para depois. É claro que sentia as roupas apertadas, mas não queria enxergar de verdade o problema. Por isso, perdi a noção do meu tamanho.”

Leniza Fischer Fabozzi,
27 anos, secretária

por que a foto foi decisiva

“Apesar dos quilos a mais, nunca deixei de viajar em turma. Numa dessas viagens para a praia, tiramos a clássica foto para marcar a virada do ano. De roupa clara, percebi o quanto estava inchada. Naquele momento, disse: chega de desculpas! Eu preciso me cuidar! Não dá para dizer que vivia no emagrece-eengorda nem que já tinha tentado vários tipos de regime. A verdade é que nunca tive força de vontade para sequer começar um programa alimentar. Estava acomodada e isso me pegou – se não desse o primeiro passo como saberia se seria difícil ou não emagrecer?”

outra arma que me ajudou

“Decidi freqüentar um grupo de emagrecimento, o Meta Real. Queria um método que me ajudasse a eliminar o excesso de peso de forma saudável e definitiva. Além da parte prática, com dicas que me ajudaram a equilibrar minha alimentação (que era totalmente desregrada), a cada palestra percebia como a comida estava intimamente ligada às emoções. Descobri que descontava a ansiedade devorando biscoito, bolo, chocolate, mas que guloseimas não substituem um abraço, um carinho, uma palavra de apoio. Também aprendi a não jogar tudo para cima quando cometia alguns deslizes – se exagerava num dia, retomava a reeducação alimentar no dia seguinte. Escorregões fazem parte do processo e, mesmo com eles, continuei me sentindo capaz de atingir o meu objetivo. Foram oito meses para perder 20 quilos, o que exigiu muita calma e paciência. Meu peso oscila entre 1 e 2 quilos, mas nada que faça me assustar quando me vejo magra e autoconfiante na foto.”

encontre sua foto e vire o jogo

Basta ver uma foto sua para levar um susto, como se todo aquele peso tivesse aparecido assim, pluft, de repente. A calça até aperta, o espelho denuncia uma sobra aqui, outra ali... mas perceber que aquela desconhecida é você funciona como um banho de água fria. “Encarar de frente um fato que nos desagrada dói, machuca, abre espaço para a tristeza, mas pode ser o gatilho para uma grande mudança”, explica Zuleika Fuente, psicóloga do grupo de emagrecimento Peso Ideal, em São Paulo. “Naquele confronto com a foto, é como se formasse uma fenda de clareza que permite enxergar a realidade”, acrescenta Niraldo de Oliveira Santos, psicólogo do Hospital das Clínicas de São Paulo. Assim, o baque agita a sua força de vontade e, no lugar do medo de fracassar, pode aparecer uma tomada de decisão: agora eu vou emagrecer!


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