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Quem malha transa melhor

Você faz exercícios para o bumbum, o abdômen, as coxas... tudo para ficar bonita e – pode confessar – gostosa. Mas e os seus músculos mais íntimos, você está exercitando? Se não tem idéia do que estamos falando, leia esta reportagem agora. Ela pode incendiar a sua cama!

por Olga Penteado fotos Caio Melo

Vamos imaginar a seguinte situação: você está levantando peso e o professor diz, à queima- roupa: “Contraia a vagina”. A probabilidade de você sentar a mão no “atrevido” é alta. Ou então de processá-lo por assédio sexual, se você for do tipo menos sanguíneo e mais cerebral. Mas saiba que o moço estaria certíssimo: uma orientação como essa numa sala de musculação – não duvide! – só traria benefícios a você.

Agora, pense numa academia com aulas de ioga e pilates. Na primeira sala, você vai escutar frases como “contraia o períneo” (esse ilustre desconhecido faz a ligação entre a vagina, a uretra e o ânus). Na segunda sala, o comando será “acione o assoalho pélvico” (a região que engloba os músculos que se situam na parte inferior da pélvis, incluindo o períneo). E pode apostar: nenhuma aluna fi ca constrangida ou ruborizada, mesmo que existam vários rapazes na sala. “Para o pilates essa é uma musculatura essencial, que faz parte do core ou cinturão central, em conjunto com o abdômen, glúteos e região lombar”, explica Luana de Oliveira, fi sioterapeuta especializada em ortopedia e instrutora de pilates.

O mesmo vale para a ioga – é só lembrar que essa prática é “prima” do Kama Sutra (aquele tratado indiano sobre sexo, famoso pelas posições não-convencionais) e do pompoarismo (arte sexual criada na Índia e aperfeiçoada pelas tailandesas para fortalecer os músculos da vagina e aumentar o prazer delas e dos parceiros). Sábias essas orientais...

Voltando para a sala de musculação: “É muito importante manter o assoalho pélvico contraído ao se exercitar com carga”, diz a fisioterapeuta Adriana Brasilino. E explica: “Esse tipo de atividade física faz uma pressão para baixo no nosso corpo, o que pode acabar enfraquecendo a musculatura de sustentação dos órgãos sexuais. Pode ser uma contração leve, não precisa colocar muita força”, ensina Adriana, que é especializada em uroginecologia – parte da medicina que cuida de disfunções como a incontinência urinária, que, aliás, acontece exatamente pela fl acidez daquela área.

o músculo do amor

O fato é que exercitar o assoalho pélvico – por menos sexy que seja esse nome – pode incendiar a sua cama. Pois é por meio da contração involuntária desses músculos que acontece... tchan, tchan, tchan, tchaaan, o orgasmo! Agora ficou interessante, não é mesmo? “O prazer sexual depende da fricção do pênis no canal vaginal e da pressão da vagina sobre o pênis. Essa pressão é exercida pelos músculos. Se eles estão fortalecidos, ela é maior”, explica Sheila Marcondes, instrutora de pilates e fisioterapeuta com especialização em fisioterapia desportiva.

“A gente não trabalha quadríceps, glúteos, abdômen? Por que não o períneo? Por puro preconceito, pois se trata de um músculo como outro qualquer”, diz Rita Cassia Furtado Rochão, professora de educação física de Santos (SP) com especialização em ginástica para gestantes no Hospital Federal de Gotemburgo, na Suécia. Queremos um bumbum durinho e as coxas torneadas para fi car mais atraentes. Mas não nos preocupamos com a flacidez dos músculos da vagina. “Um assoalho pélvico saudável tem um bom tonus e elasticidade. Quanto mais fi rmes esses músculos, melhores os nossos orgasmos”, fala Rita.

E também o do seu gato, fazem coro as meninas espertas que já aderiram à malhação íntima. “Meu namorado adora quando contraio o músculo certo na hora H”, diz Marina*, de 28 anos. “Passei a ter orgasmos mais fortes e freqüentes depois que aprendi a fazer a contração da vagina. Isso, claro, excita ainda mais o meu marido”, conta Carol*, de 32 anos.

E não é só uma questão de pressão. “Exercitados de maneira constante, esses músculos garantem uma boa circulação sanguínea e linfática de toda a região, favorecendo os orgasmos”, diz Rita. Se, antes, a frase “acione o assoalho pélvico” soava esotérica, depois de fazer os exercícios propostos nesta reportagem, você vai entender que ela é bem prática e pode fazer maravilhas para a sua vida sexual. Se jogue!

Os nomes foram trocados para preservar a identidade das entrevistadas.

o mapa do tesouro

É simples: como qualquer outra musculatura do corpo, a tonicidade do assoalho pélvico pode ser aumentada com exercícios de fortalecimento. E assim como na ginástica localizada, quanto mais você praticar, melhor.

O exercício mais conhecido para trabalhar os músculos internos da vagina se chama Kegel, numa referência ao ginecologista norteamericano Arnold Kegel, que, na década de 50, passou a recomendálo para suas pacientes. “Quando você estiver fazendo xixi, segure o jato de urina no fi nal, espere alguns segundos e solte. Depois, interrompa e solte de novo, até esvaziar a bexiga. Assim, você vai aprender a contrair e relaxar voluntariamente esses músculos”, diz Rita.

A posição de cócoras, por si só, é uma das que mais trabalha o assoalho pélvico. Para você intensifi car esse trabalho, experimente contrair e relaxar os músculos da vagina acompanhando a sua respiração: inspira, contrai. Expira, relaxa. Tente manter os calcanhares no chão. Se não conseguir, apóie-os em dois bloquinhos de ginástica.

Agora, que você já aprendeu a contrair esses músculos, pode fazer os exercícios em qualquer lugar: no carro, no escritório, vendo TV... “Sentada sobre os ísquios (ossinhos que fi cam em contato com a cadeira), com a coluna ereta, contraia a vagina, conte até cinco e solte. Faça três séries seguidas de dez vezes, ou três séries ao longo do dia”, orienta Adriana Brasilino, fisioterapeuta do Instituto Levitas, em São Paulo.

Outra dica é exercitar o períneo quando estiver fazendo ginástica localizada ou musculação. “Acionar o assoalho pélvico ajuda na contração mais efi caz do abdômen. Não só o abdominal rende mais como a aluna aprende a conhecer melhor o seu corpo”, diz Márcia Reis, professora de educação física da academia Bio Ritmo, em São Paulo, com especialização em treinamento de força. “Contraia o abdômen como se quisesse grudar o umbigo nas costas, ao mesmo tempo que fecha os músculos do assoalho pélvico, como se estivesse apertada para fazer xixi. Só depois disso, você começa os abdominais”, ensina Márcia.

Os exercícios de contração também podem ser feitos com o auxílio de pesinhos, como se fosse mesmo uma musculação da vagina. São dispositivos em forma de cone, que, assim como os halteres, apresentam cargas crescentes – variam entre 20 e 100 gramas. “Eles permitem uma contração muscular mais específi ca e eficaz. São especialmente indicados depois do parto”, diz Adriana. Você pode encontrá-los em casas de material médico ou sex shops. Outra alternativa são as bolinhas tailandesas, chamadas bem-wa, à venda em sex shops. Fique atenta: as verdadeiras – e eficazes – têm carga (como os cones).

Produção: Sara Teitelbaum. Maquiagem: Rodolfo Silveira. Ela veste: lingerie Meia de Seda. Ele veste: cueca samba cancão Any Any. Modelos: Denise Konzem e Jeancarlo (M Manengement).


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