Voltar a ter o corpo de antes de engravidar não é privilégio das famosas. As histórias de Angélica, Priscila e Maria Cecília, mulheres normais, que trabalham o dia inteiro, mostram que dá para chegar lá – sem cirurgia
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“Acho que tudo na vida é uma questão de escolha. A batata frita na happy hour, por exemplo, saiu da minha vida antes dos 20 anos. E, hoje, quer saber, nem sinto falta. Troco por um filé de frango aperitivo ou mussarela de búfala com azeite e orégano numa boa. Depois do almoço, tomo um capuccino com leite desnatado em vez de comer um chocolate inteiro. Eu sei que, depois dos 30 anos, é preciso batalhar para ficar em forma. Comer de tudo, sem engordar? A medicina já provou que um metabolismo acelerado é privilégio de pouquíssimas pessoas.
"Comer direito" é um aprendizado. Entendi isso nos tempos de faculdade. Estudava em período integral e, na seqüência, ensaiava balé. Depois de comer, morria de sono na aula. Na hora da dança, meu estômago pesava tanto que quase não conseguia sair do chão, num momento em que a leveza é fundamental. Experimentei tirar a sobremesa e o suco do almoço, reduzi o arroz e aumentei os legumes. E comia fruta no lanche. O sono diminuiu e a disposição aumentou. Foi aí que percebi a relação direta entre o que comemos e como nos sentimos.
As gestações do João e do Pedro foram momentos ainda mais importantes para confirmar que o corpo responde a cada alimento que ingerimos, sinalizando se ele nos faz bem ou não. O desafio é treinar nossa percepção para captar esses recados. Decidi contar a minha história porque sou testemunha de que a atividade física regular e uma boa alimentação dispensam a cirurgia plástica quando se trata de recuperar as formas depois de ter um bebê. A natureza é sábia: a gente só precisa ouvir o que ela insiste em nos dizer...
“No início da gravidez, enjoei muito. Nem conseguia olhar para o mamão com iogurte e aveia do café-da-manhã. Mas descobri que chá de erva-doce, torrada integral e requeijão desciam bem. Foi na base da experimentação que defini o que caía melhor, já que a digestão fica mais difícil nessa fase. O processo foi parecido com o exercício. Mudei o treino ouvindo meu corpo, percebendo como ele (e o bebê) se sentia(m). No primeiro trimestre, era um sono danado. Um dia, me arrastei até a aula de alongamento e notei que o enjôo melhorou. Como sou agitada, aderi à natação: apostei que a água me acalmaria. Os bebês aprovaram porque se mexiam de um jeito gostoso. E nadar alivia a tensão nas costas e estimula a circulação, evitando a retenção de líquidos e prevenindo a celulite. Também pratiquei ioga: o trabalho de respiração e alongamento foi importante para controlar a ansiedade e prevenir as dores na lombar. Nas duas gestações, fiz exercícios até uma semana antes de os bebês nascerem, de parto normal. Meu obstetra e eu acreditamos que o corpo saudável e flexível, no peso certo (ganhei cerca de 9 quilos), contribuiu para que tudo corresse bem. Não engordar muito e amamentar são as principais armas para voltar à forma rapidinho: a amamentação queima até 800 calorias por dia. A barriga é a última que volta, mas até aí a gente percebe a sabedoria da natureza: ao dar de mamar, o organismo libera o hormônio ocitocina, que estimula a contração do útero e ajuda tudo a retornar ao lugar. Com um recém-nascido, a vida é tão corrida que mal dá tempo de tomar banho – então, nem pensei em malhação tradicional. Cuidei de tentar manter uma boa postura, com a barriga contraída (não dá nem pra ver a contração, mas ela ajuda). Sentia, sim, uma fome de leão. No almoço e no jantar, comia arroz integral, lentilha, frango, folhas e muito legume. Nos lanches, preferia frutas densas, como banana, manga e caqui, iogurte desnatado e aveia ou pão integral com queijo. Uma alimentação saudável também ajuda a gente a segurar a onda das noites maldormidas, acordando de três em três horas. Depois de três semanas, comecei a caminhar empurrando o carrinho do bebê pelo menos duas horas por dia – momentos de prazer para todos. Essa foi a minha grande atividade física durante a licença-maternidade. Quando voltei ao trabalho, retomei a academia – me exercito na hora do almoço. Acho fundamental ter um tempinho pra cuidar de mim.”
Angélica Banhara, 41 anos, redatora-chefe da BOA FORMA e autora do blog e do livro Grávida em Boa Forma. Mãe de João, 5 anos, e Pedro, 1 ano e 5 meses.
“Engordei 20 quilos nos nove meses e sei porque isso aconteceu. Embarquei na história de comer por dois e aproveitei a situação para não passar vontade. Tinha muita fome e loucura por doce. Sou chocólatra assumida e a gravidez virou desculpa para eu comer todo o chocolate que queria. Como não enjoava, era uma festa. Mal acordava e já batia pra dentro uma barra inteira. No meio da manhã, fazia um lanchinho para depois almoçar arroz, feijão, carne e salada. No lanche da tarde, ia mais um prato de arroz com feijão – o que não atrapalhava em nada o meu apetite para o jantar. Exagerei, mas não foi impunemente. Só no primeiro trimestre, engordei 7,5 quilos. E olha que eu fazia esteira diariamente. Minha médica explicou os riscos de engordar demais e me deu medo – diabetes e pressão alta são apenas dois problemas perigosos associadas ao ganho de peso excessivo. Tentei me segurar. Parei de almoçar duas vezes, mas continuei amiga dos doces. O João Paulo nasceu com cerca de 3 quilos e saí da maternidade com 7 a menos. Estavam sobrando 13. Nos primeiros meses, só cortei os excessos. Chocolate e doce ficaram restritos ao final de semana e, no intervalo entre as refeições, fiquei com barrinhas de cereais e frutas em vez de pães de queijo e outras delícias. Assim que fui liberada para uma atividade física leve, um mês e meio após o parto, voltei a caminhar na esteira, 45 minutos por dia. Decidi me empenhar. Dois meses e meio depois do parto, cortei o carboidrato do jantar. Ou tomava dois pratos de sopa de verduras ou comia um pratão de salada e um peito de frango grelhado. Quando meu filho fez 3 meses, só faltava queimar 5 quilos. Mas esses estão colocando à prova minha força de vontade – ainda faltam 2 quilos. Assim que parei de amamentar, aos 5 meses, voltei a correr. Corro até nos domingos e só vou parar quando estiver com o peso de antes de engravidar. Também pretendo ficar firme numa alimentação leve, fracionada em seis refeições por dia. Quer um conselho? Onze quilos a mais está de bom tamanho para uma gravidez tranqüila e uma recuperação mais rápida. Da próxima vez, me aguardem, vou ficar esperta desde o primeiro dia.”
Priscila Bonduki Russomano, 33 anos, publicitária. Mãe de João Paulo, 6 meses.
“Sempre fui cheinha. Engravidei já com 67 quilos (meço 1,67 metro). Como não fazia nenhuma atividade física, tentei controlar o tamanho do meu prato para não ter de cortar massa, doce e fritura, que adoro. Cheguei ao fim da gravidez com 13 quilos a mais. A Maria Eduarda nasceu bem, mas tive um pós-parto complicado. Não consegui amamentar e isso me deixou profundamente frustrada. Estava assustada em ter uma criança sob minha responsabilidade. Fiquei ansiosa, chorava o tempo inteiro e perdi o apetite. Em cinco meses, lá se foram 9 quilos. Faltavam 4. O problema é que, se já estava gordinha quando engravidei, com esses 4 a mais me sentia imensa. Pior ainda: de repente, comecei a engordar. Fazia uma dieta atrás da outra, mas não conseguia resistir muito tempo e minha compulsão voltava ainda mais violenta. Acho que me sabotava o tempo todo – quem se propõe a uma reeducação alimentar não lota a geladeira de doce, o freezer de sorvete e a despensa de salgadinho. Tempo para fazer exercício? Impossível: trabalhava fora o dia inteiro, não tinha empregada e o bebê me ocupava demais. Para completar, meu emprego começou a exigir mais dedicação e acabava almoçando qualquer bobagem na lanchonete. Precisei tomar um susto para acordar a minha força de vontade. Aconteceu quando fui passar alguns dias na praia. Me olhei de biquíni e me perguntei onde é que eu ia parar... Fui ao endocrinologista. Organizei (e encontrei) meu tempo para malhar. Não dava para freqüentar uma superacademia? Dava, sim, para fazer 40 minutos de esteira no salão do condomínio. Nenhum doce entrou mais na minha casa. Virei consumidora dos light, diet e desnatados e fã incondicional de verdura. Minhas porções ficaram menores, mas não me permitia passar fome. Olha só o meu cardápio: duas colheres de sopa de arroz, duas de feijão, uma carne grelhada e muita salada. No jantar, nada de carboidrato. Entre as refeições, fruta ou iogurte light. No primeiro mês, perdi 4 quilos. No segundo, lá se foram mais 3 e, no terceiro mês, outros 2. Por mais que as coisas estivessem corridas no trabalho, nunca mais caí no conto do salgadinho. Fui recuperando a minha auto-estima e ganhando mais disposição. Com nove meses nesse pique, cheguei aos 61 quilos. A maternidade foi uma fase difícil, mas me fez perceber que posso conseguir tudo o que desejar. Basta querer e me empenhar.”
Maria Cecília Abatti dos Santos, 30 anos, assessora de imprensa. Mãe de Maria Eduarda, 1 ano e 11 meses.
Produção: Daniela Santilli. Cabelo e maquiagem: Rodolfo Silveira.