Sempre tive tendência para engordar, mas o problema piorou na adolescência. Qualquer dificuldade, descontava na comida. Comia como louca e só parava quando passava mal e vomitava. Devorava caixas de bombons. Estava, claro, insatisfeita com meu corpo. Meu peso variava entre 55 e 58 quilos, muito para uma pessoa de 1,52 metro como eu. Aos 17 anos, vivi o auge do sofrimento. Me sentia feia e queria perder peso de qualquer forma. Ficava três dias só à base de líquidos. Se comesse uma fruta, por exemplo, corria na esteira para queimar as calorias. Eu não sabia, mas já estava desenvolvendo anorexia. Fiquei com 44 quilos e levei a minha família ao desespero. Meu pai precisava ficar ao meu lado durante as refeições ou jogava tudo no lixo e mentia dizendo que havia comido.
Passei por um tratamento médico que resolveu a anorexia, mas o efeito sanfona continuou. Quando achava que estava magra, comia demais. Se engordava, inventava uma dieta maluca. Aos 21 anos, entrei numa academia de ginástica. Gostei tanto que fui cursar a faculdade de educação física. Os estágios não davam oportunidade para que eu queimasse caloria, pois, como professora, não fazia os exercícios, só orientava os alunos. Larguei mão da alimentação e cheguei aos 64 quilos. Para uma profissional de fitness, que deve servir de exemplo, a questão era mais séria ainda. Decidi procurar o nutricionista da academia e iniciar uma reeducação alimentar, além de retomar os exercícios.
A parte mais difícil foi não comer carboidrato depois das 17 horas, mas resisti porque o sacrifício valeria a pena. Junto com os exercícios, eliminei 14 quilos em oito meses. Hoje, tem aluna que se inspira na minha história e acredita que também pode mudar de vida.
Foto: Marcelo Correa. Produção: Ana Hora. Cabelo e maquiagem: Rita Fischer.
Locação: Academia A! Body Tech. Vestido Dress To, bijuterias Camila Klein, sandálias Via Mia.